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Como ter cidades à “prova de bala” no mundo pós-pandemia

01 out 2021
Como ter cidades à “prova de bala” no mundo pós-pandemia
Estudo da Deloitte identifica 4 recursos para construir centros urbanos resilientes e mais preparadas para o futuro. Fonte: Idealista News

A pandemia veio mudar o mundo. Paralisou praticamente todas as cidades, pondo em evidência as suas fragilidades e capacidade de resposta a momentos de crise. A maioria não estava preparada para dar resposta aos desafios trazidos pelo contexto pandémico, segundo um estudo da Deloitte, que avaliou 167 cidades à escala global. Mas, afinal, o que é preciso para construir centros urbanos “à prova de bala”? A consultora identificou quatro recursos fundamentais orientados por um eixo comum: a resiliência.
 

“As cidades têm a oportunidade de aprender com a crise da Covid-19 para criar resiliência nos seus sistemas, operações e infraestruturas. Assim como a pandemia, o próximo evento disruptivo pode deixar muitos “cegos”. Mas será lamentável se não estiverem preparadas para isso”, frisa a consultora no estudo "Cidades à prova de futuro num mundo pós-pandémico", da autoria de Miguel Eiras Antunes, Mahesh Kelkar, especialistas em Smart Cities da Deloitte.
 

Lisboa / Foto de Lisa no Pexels
Lisboa / Foto de Lisa no Pexels
 

No relatório, a Deloitte explorou quatro recursos que considera serem cruciais para as cidades criarem resiliência e resistirem a choques futuros. A “resiliência tem sido um termo popular no léxico da gestão há anos. Mas a sua relevância raramente foi tão importante. Em termos simples, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico define resiliência como a capacidade de uma cidade ou centro urbano de se preparar, responder, recuperar e adaptar-se a um evento perturbador”, explica a consultora.
 

Construir resiliência implica anos de esforços, e é principalmente um exercício de capacitação com um forte enfoque nas áreas com mais falhas. Trata-se de lançar e aprimorar medidas ao longo do tempo. De acordo com a Deloitte, os “esforços devem ser em escala e cobrir todas as funções e domínios da cidade”.
 

Quatro recursos para gerir crises e construir resiliência

“Depois de quase mais de um ano de pandemia, as cidades ainda estão a recuperar e adaptar-se ao novo normal. À medida que o foco muda da gestão da crise de saúde pública para o fortalecimento do sistema de saúde pública e o robustecimento da recuperação económica, as cidades devem construir resiliência de longo prazo”, indica o relatório.
 

Foto de Abby Chung en Pexels
Foto de Abby Chung en Pexels
 

O próximo livro da Deloitte, ‘The Transformation Myth’, define, por isso, quatro recursos-chave encontrados em organizações resilientes: agilidade, escalabilidade, estabilidade e opcionalidade. Esses quatro instrumentos podem ser utilizados para gerir momentos de crise, como a pandemia, e construir resiliência de longo prazo.

  • Agilidade

A forma como uma cidade age e reage às situações com rapidez, determinação e muda de direção conforme a situação exige. Foca-se na flexibilidade de longo prazo.
 

“As cidades deveriam abraçar a agilidade em vários domínios, incluindo TI, força de trabalho e ‘governance’ para garantir que os serviços não são interrompidos sempre que houver mudanças no ambiente externo”, frisa a Deloitte.
 

  • Escalabilidade

A capacidade de uma cidade responder a um imprevisto num determinado curto período de tempo. A Deloitte lembra que a Covid-19 foi um ponto de inflexão para a maioria das organizações, nomeadamente ao nível de mudanças para serviços digitais e operações remotas em grande escala – basta pensar na telesaúde, teletrabalho ou até mesmo telescola.
 

“A pandemia elevou o status digital de "bom ter" para "obrigatório ter”. À medida que as cidades aceleram os esforços de digitalização após a pandemia, ter uma infraestrutura digital escalonável torna-se imperativo”, segundo os autores do relatório.
 

Deloitte
Deloitte
 
  • Estabilidade

A capacidade de uma cidade permanecer firme no presente com as suas operações/decisões, ao mesmo tempo que experimenta e dimensiona soluções para o futuro.
 

A estabilidade refere-se à importância das cidades trabalhar em duas frentes ao mesmo tempo, “garantindo que a cidade está numa posição firme no presente, enquanto também trabalha nas transformações e inovações necessárias para construir resiliência para o futuro. Para conseguir isso, as cidades terão que dividir os seus recursos, gerir as operações existentes e, ao mesmo tempo, explorar e investir em maneiras de melhorar as respostas futuras”.
 

Ao investir em tecnologias como análise de dados, inteligência artificial (IA), planeamento de cenários e simulações, as cidades podem construir c apacidades “antecipatórias”. “Isso pode permitir que as autoridades municipais identifiquem os prováveis problemas antes que eles explodam e mudem o foco para a prevenção”, lembra a Deloitte.
 

  • Opcionalidade

A maneira como uma cidade pode aumentar as suas operações e serviços ao explorar um ecossistema mais amplo de participantes, incluindo o setor privado, startups, empresas de tecnologia, empresais locais, organizações sem fins lucrativos, entre outrosa tores. A ideia é criar uma rede ampla de colaboração, para entregar bens ou disponibilizar serviços, por exemplo.
 

Singapura, um exemplo de sucesso na luta contra a Covid-19

No relatório, a Deloitte lembra que, em setembro de 2020, quando a maior parte do mundo estava a lutar contra a Covid-19, a vida em Singapura “parecia quase normal”. Além das empresas, locais de trabalho, restaurantes e outros locais públicos estarem totalmente abertos, as viagens aéreas limitadas também eram permitidas. E como é que isso foi possível, se a maioria dos países foi apanhada desprevinda? De acordo com a Deloitte, isso deve-se, em grande parte, à implementação da iniciativa ‘SG Clean’, que exigia que indivíduos e empresas seguissem um conjunto de bons hábitos e regras de higiene.
 

“Singapura estava preparada. A iniciativa ‘SG Clean’ não foi uma reação automática à pandemia Covid-19”, lê-se. De acordo com a consultora, o segredo está todo o trabalho que foi feito desde os primeiros os surtos de H1N1 em 2009.
 

Photo by Meriç Dağlı on Unsplash
Photo by Meriç Dağlı on Unsplash
 

Depois do primeiro surto de H1N1, o governo criou uma rede de clínicas de preparação de saúde pública, capacitadas para dar uma resposta consolidada de cuidados primários em emergências de saúde pública, como a Covid-19. Mas há mais. Em 2014, o ministério da Saúde implementou um sistema nacional que evita a rutura de stock de equipamentos de proteção individual – nunca pode estar abaixo dos 90%. Uma medida que se revelou útil durante o pico da pandemia, garantindo disponibilidade de materiais aos profissionais de saúde e da linha de frente.
 

Os investimentos em tecnologia e infraestrutura digital também se revelaram igualmente importantes. Esse ‘background’ permitiu que Singapura lançasse uma série de aplicações e portais centrados no cidadão que os ajudaram a encontrar máscaras, conseguir ajudar financeira, identificar locais lotados a serem evitados e obter informações precisas através de ‘chatbots’ do governo.
 

“Singapura foi capaz de responder à Covid-19 melhor do que a maioria dos países, estados e cidades devido ao seu foco principal ao longo dos anos na construção de resiliência. Não viu a Covid-19 a chegar através de uma bola de cristal; tinha sistemas físicos e digitais adequados”, para dar resposta a este tipo de contingências, conclui a consultora.

 
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